Quais São os Tratamentos para a Impotência ?

 

Assim que o diagnóstico da causa da impotência sexual é determinada, deve-se dar início a um tratamento adequado.

Atualmente, os médicos que se especializam em impotência têm uma grande variedade de terapias disponíveis para usar contra o problema. Geralmente, quando a impotência é de origem puramente psicológica, a psicoterapia de apoio e a terapia sexual são indicadas. Entretanto, as vezes uma terapia medicamentosa ou física também é indicada nesses casos, de modo a aumentar a confiança do paciente em voltar a conseguir uma ereção, e/ou reduzir a ansiedade de performance graças a um método mais à prova de falhas. Por outro lado, a doença orgânica pura tem que ser tratada com métodos físicos, medicamentosos ou cirúrgicos, mas aconselhamento e psicoterapia de apoio também são recomendados, de modo a reeducar o paciente e reduzir os efeitos a curto e a médio prazo da impotência em sua psique e de sua parceira.

Nós não discutiremos neste capítulo o tratamento da impotência causada por outras doenças dominantes, tais como Parkinson ou diabetes. É evidente que uma terapia adequada desses cados pode ser o suficiente para restaurar a função erétil no paciente. Ao invés disso, iremos nos dedicar aqui primariamente aos métodos terapêuticos relacionados à patologia orgânica da ereção, mesmo quando falham os métodos ditos fisiológicos, ou normais.

De regra, quando se tenta vários tratamentos, os médicos tentam primeiro os que são menos invasilvos, e que podem ser revertidos, ou que são mais simples ou menos caros. Apenas quando estas abordagens iniciais falham em resolver o problema é que métodos mais drásticos, irreversíveis, complexos ou mais caros são tentados.

Tratamentos Não Cirúrgicos

Dispositivos de Vácuo e Anéis de Retenção

Estes métodos funcionam bem com a maioria dos homens que não conseguem a ereção ou não conseguem mantê-la devido a fatores vasculogênicos. A bomba de vácuo é operada manualmente ou através de um motor elétrico. O pênis é inserido em um cilindro de plástico e sua boca é apertada. A bomba provoca um vácuo dentro do cilindro, levando a uma diferença de pressão do pênis em relação à pelve. O sangue jorra para dentro do pênis, levando ao entumescimento. Em seguida, um anel de borracha ou silicone é ajustado em volta da base do pênis, de modo a impedir que o sangue reflua, mantendo-se assim a ereção. Esta ocorre rapidamente e pode durar por bastante tempo (20 minutos ou mais), O método tem se provado efetivo em mais de 90 % dos casos, mas a principal queixa é que ele atrapalha a intimidade do casal no momento do sexo. Os efeitos adversos são mínimos (ocasional dor ou hematomas).

Medicação Oral ou Local

Existem diversos medicamentos por receita ou compra livre, que têm sido testados para promover a potência sexual, para aumentar a libido, ou para reduzir os efeitos de fatores vasculares e hormonais. Muitos deles têm apenas um valor de folclore popular, e não foram testados de forma comprovadamente científica como tendo algum efeito diferente da sugestão psicológica (efeito placebo). É o caso do ginseng, da catuaba, da ioimbina e outros extratos de plantas da Ásia, África e América do Sul.

Efeitos bem comprovados e significativos foram conseguidos com dois medicamentos apenas:

Sildenafil: fabricado pela Pfizer, este medicamento tornou-se disponível recentemente em todo o mundo pelo nome comercial de Viagra, transformando-se rapidamente em um fenômeno mercadológico, cultural, médico e econômico. É um tablete tomado em forma oral, cerca de 30 minutos a uma hora antes do ato sexual. Existem três dosagens: 25, 50 e 100 mg, e a potência e duração do efeito são proporcionais à dosagem. A ereção precisa ocorrer (excitação sexual), e o medicamento ajuda a mantê-la em cerca de 60 a 80 % dos casos, mesmo quando a causa é psicogênica. O efeito pode durar entre uma a três horas, em média. O citrato de sildenafil age especificmente sobre uma enzima que provoca o relaxamento do sistema vascular de esvaziamento dos corpos cavernosos, inibindo-a. Não existem efeitos adversos significativos, mas o tratamento é ainda caro (o único perigo relatado é a combinação do sildenafil com drogas vasodilatadoras baseadas em nitritos, usadas por pacientes cardíacos). Existe alguma preocupação no meio médico que esta droga passe a ter uso  "recreativo ", ou seja, ser usado como afrodisíaco por homens que não são impotentes. Estudos científicos controlados, envolvendo mais de 2.500 pacientes mostraram que o sildenafil é efetivo, seguro, e tem grande potencialidade para se transformar no tratamento de escolha para um grande espectro de disfunções da ereção. Não se aplica a todas as formas de impotência, entretanto. Veja a seção de recursos na Internet para ler artigos mais atualizados sobre o Viagra.

Alprostadil: esta é uma droga genérica derivada de um tipo de hormônios vasculares de ação local, chamados de prostaglandinas E1. O alprostadil está disponível nos EUA e em outros países sob o nome comercial de Caverjet, e é normalmente injetado com uma agulha fina diretamente nos corpos cavernosos do pênis. Ali, ele promove uma ação vascular que leva a uma ereção em cerca de 15 minutos, e que dura entre 20 a 40 minutos, em 80 a 90 % dos casos. Algumas vezes o alprostadil é composto com papaverina, uma enzima de ação vascular, ou fentolamina. Embora este método seja seguro, simples e efetivo, mais de 50 % dos pacientes o abandona depois de seis meses de uso, devido a medo de injeções, ocorrência de dor, fibrose nos locais da injeção e intromissão com a intimidade sexual. Um efeito perigoso, particularmente com doses injustificadamente altas, é a ocorrência de priapismo, uma condição em que a ereção pode durar por várias horas, levando à uma interrupção do suprimento sangúineo e até à necrose do pênis.

Uma forma menos invasiva de terapia por prostaglandinas foi recentemente aprovado nos EUA, chamado MUSE, desenvolvido pela Vivus, e comercializada no Brasil pela Astra. Uma pequena pelota de alprostadil é inserida com um dispositivo operado manualmente na uretra. Um movimento de massagem com as mãos ao redor do pênis dissolve o medicamento, que vai agir localmente na circulação sangüinea do pênis. O efeito demora mais a aparecer que a injeção, mas são evitadas as queixas associadas com a forma injetável. Entretanto, não é tão efetivo quanto a injeção.

No momento da redação deste artigo, outras substâncias estavam sendo testadas clinicamente e aguardando aprovação para comercialização, entre as quais a apomorfina (que provoca ereção quando injetada ou ingerida), e dois medicamentos, conhecidos pelos nomes de Vasomax e Erectil, ambos agindo sobre o mecanismo vascular da ereção.

Terapia Hormonal

Estar formas de terapia são recomendadas de forma estrita apenas para casos de hipogonadismo, ou seja, a diminuição patológica dos níveis de testosterona, e, mesmo assim, apenas em circunstâncias muito limitadas. A testosterona é reposta através de injeções intramusculares, ou através de emplastros cutâneos (aplicados sobre o saco escrotal raspado). Os níveis normais são atingidos rapidamente, e o efeito sobre a libido e sobre a função erétil podem ser sentidos já em alguns dias ou semanas. A terapia de reposição hormonal parece ter outros efeitos benéficos, particularmente para os idosos. A massa muscular é aumentada, o tecido adiposo diminui, e o paciente se sente melhor e mais vigoroso, com menor fadiga e maior concentração mental. Existe também evidência que a osteoporose (descalcificação dos ossos, que pode levar a fraturas e outros problemas) pode ser evitada com a terapia hormonal.

Entretanto, a terapia de reposição de testosterona é mais perigosa que a usada com as mulheres (por estrogênio). Seu uso clínico só é justificado após uma certa idade, e apenas na ausência de distúrbios da próstata, verificada por vários exames especializados (incluindo ultrassom, toque retal e história clínica), e a medida dos níveis de PSA, um fator antigênico presente em concentrações altas quando um câncer da próstata está presente. De fato, o carcinoma da próstata é agravado com a testosterona, ao ponto que uma cirurgia de castração (remoção dos testículos) ou uso de drogas antitestosterona são indicados. Além disso, a reposição de testosterona em pacientes com hipogonadismo hipogonadotrófico pode levar a níveis de FSH ainda menores, um efeito oposto ao desejado, pois altos níveis de testosterona inibem a hipófise.

Ainda mais controvertido é a ingestão de precursores da testosterona, como a DHEA (dehidroxiepiandrosterona), uma substância necessária para a síntese de testosterona. O uso desta substância foi deflagrado por relatórios científicos que o nível de DHEA diminui consideravelmente em função da idade, e que a reposição de DHEA parece ter vários efeitos positivos, semelhantes ao uso de testosterona. A DHEA foi saudado pela imprensa leiga como uma  "droga miraculosa", capaz de combater os efeitos do envelhecimento e aumentar a qualidade de vida na idade avançada. Entretanto, seus efeitos sobre o processo erétil não são claros, assim como seu efeito sobre o organismo a longo prazo. Mais perigosamente ainda, a DHEA foi liberada para comercialização sem receita médica, por ser considerada um  "suplemento dietético", uma vez que está presente em alimentos naturais, como aveia verde. Por isso, tem sido muito usada sem supervisão médica.

Tratamentos Cirúrgicos

 

Cirurgia Vascular

Para as disfunções eréteis que têm um claro diagnóstico de etiologia vascular (causa), existem diversos tipos de cirurgias venosas e arteriais. Dependendo da natureza do distúrbio, essas cirurgias têm como objetivo fechar as veias de escape de sangue, no caso de incapacidade de manter uma ereção mais firme e duradoura, ou de limpar artérias ou estabelecer pontes vasculares para aumentar o afluxo de sangue ao pênis, quando as artérias estão danificadas por placas e estreitamentos. A taxa de sucesso é alta, mas estes são procedimentos irreversíveis e caros. Se as causas do entupimento ou de dano dos vasos não forem tratadas, algumas vezes a cirurgia tem que ser repetida, diminuindo a taxa de sucesso.

Implantes Penianos

Estes são os métodos mais drásticos e irreversíveis de se conseguir ereção artificialmente. Apenas quando todas as demais medidas foram esgotadas, sem efeitos duradouros é que os implantes penianos se justificam. Os implantes são próteses de silicone inerte, que são cirurgicamente inseridos por dentro do pênis, substituindo tecido natural. A ereção fisiológica não será mais possível após a cirurgia. Existem dois tipos de implantes penianos:

Implantes passivos: dois bastões de silicone são inseridos no pênis, que fica ereto o tempo todo. Estes bastões podem ser moldados com as mãos em diferentes ângulos, mas isso pode se tornar um constrangimento em ocasiões públicas, tais como em piscinas. O orgasmo pode ser conseguido, a menos que haja causas hormonais, nervosas ou outras que o tenham diminuido.

Implantes ativos: são bolsas infláveis de silicone que também são implantadas no pênis. O pênis fica em estado semi-flácido, até que uma manipulação adequada da prótese leve à sua inflação e conseqüente ereção. Um tipo de implante é acionado pressionando-se a glande (cabeça do pênis) com uma mão. Um liquido é transferido de um reservatório para as bolsas infláveis. Em outro tipo, o reservatório é implantado no saco escrotal, que pode ser bombeado manualmente.

Outros Tratamentos

Outros métodos cirúrgicos e não cirúrgicos têm sido testados em bases experimentais, sendo que alguns deles demonstram algum potencial. Por exemplo, um grupo de médicos na Alemanha e na Rússia têm experimentado um a estimulação elétrica de demora da área pélvica, usando eletrodos aplicados sobre o abdomen e costas. Já existem mesmo equipamentos comerciais que usam este princípio, que parece aumentar o fluxo sangüíneo na área genital. A estimulação elétrica direta dos nervos pélvicos, levando a uma ereção induzida neuralmente, usando eletrodos implantados e uma espécie de aparelho marcapasso, também estão sendo considerados.

Métodos ditos "alternativos" ou  "naturais" existem em grande quantidade. Existem desde alimentos naturais que têm altos níveis de testosterona ou DHEA, tais como a aveia verde (vendidos sob os nomes de  "Green Oats" ou SEXATIVA), ou cerne de palma, até exercícios de ioga que têm como objetivo aumentar o tônus muscular e o fluxo sangüineo na área genital. É difícil dizer se esses métodos têm uma ação real, ou se são apenas o efeito de sugestão ou de placebo.

Uma coisa foi bem determinada científicamente, no entanto. Os níveis sangüíneos de testosterona aumentam após o exercício, ou ao se perder peso excessivo. Assim, uma forma natural de combater hipogonadismo leve pode ser o exercício físico freqüente ou manter o peso normal.


De: Distúrbios Sexuais. 1. Impotência Sexual
Por: Renato M.E. Sabbatini, PhD e Silvia Helena Cardoso, PhD
Em: Cérebro & Mente, Setembro/Novembro 1997

Atualizado em junho de 1998.